Fonte Correio do Povo
A vacina russa “Sputnik-V”, a primeira do mundo contra a Covid-19 a ser anunciada e fortemente criticada pela falta de divulgação dos resultados dos testes das fases 1 e 2, produziu uma resposta de anticorpos em todos os participantes, de acordo com estudo publicado nesta sexta-feira pela revista médica The Lancet. Os resultados dos dois testes, conduzidos entre junho e agosto deste ano, envolvendo 76 participantes, mostraram que 100% dos voluntários desenvolveram anticorpos e nenhum efeito colateral sério.
"A vacina heteróloga de Covid-19 baseada em vetor rAd26 e rAd5 tem um bom perfil de segurança e induziu fortes respostas imunes humorais e celulares nos participantes. É necessária investigação adicional sobre a eficácia desta vacina para a prevenção", afirmam os pesquisadores liderados por Denis Y. Logunov.
Os cientistas inscreveram 76 voluntários adultos saudáveis (com idades entre 18 e 60 anos) nos dois estudos (38 em cada): 53 (70%) homens e 23 (30%) mulheres. Os resultados primários foram segurança e imunogenicidade (imunidade humoral específica do antígeno). Na fase 1 de cada estudo, dois grupos de nove voluntários receberam uma dose de vetor de adenovírus recombinante tipo 26 (rAd26) ou vetor de adenovírus recombinante tipo 5 (rAd5), ambos carregando o gene para o SARS-CoV-2 – glicoproteína de pico rAd26-S e rAd5-S –, na forma liofilizada ou congelada.
Na fase 2, outro grupo de 20 voluntários adultos saudáveis em cada estudo recebeu doses sequenciais de rAd26-S seguidas de rAd5-S de uma das duas formulações. Os eventos adversos foram principalmente leves: dor no local da injeção (58%), hipertermia (50%), dor de cabeça (42%), astenia (28) e dores musculares e articulares (24%). Os efeitos colotarais ocorreram com frequência semelhante para cada vetor de vacina, com cada formulação e após cada dose.
"Eventos adversos sérios não surgiram neste pequena corte. Ambas as formulações da vacina foram imunogênicas em todos os participantes, induzindo respostas humorais neutralizantes e mediadas por células. Na fase 2, 85% dos participantes tinham anticorpos detectáveis 14 dias após a dose inicial, aumentando para 100% no dia 21, com aumentos substanciais após a dose de reforço", diz o texto publicado pela Lancet.
