
* DO LIVRO “SÃO LOURENÇO DO SUL - RADIOGRAFIA DE UM MUNICÍPIO” (Livro 3, página 202) - O curtume Brächer: um pouco da história de sua fundação - Consta que Jörg Grill (nascido a 30 de maio de 1842), casado com Maria Christina Timm (nascida a 9 de julho de 1869), sem filhos, havia fundado um curtume em 1870 em São João da Reserva. Com o passar do tempo e com o crescimento de sua pequena indústria, Grill precisou de empregados. Assim, trabalharam com ele: Julio Hadler (que fundou mais tarde um famoso e grande curtume em Pelotas, pai de Herbert Hadler), João Christ (que fundaria o conceituado e conhecido Curtume Christ na vila de São Lourenço, pai de Nelson, Nestor e Elimar), José Halfen (que abriria um curtume às margens do arroio Grande – Turuçu –, e que se tornaria sogro de Arthur Lange fazendo ficar famoso o nome de sua empresa), Philipp Neutzling, Alberto Michaelis, Alexandre Azevedo, Willy Levien (curtidor mais tarde de pelegos artesanais), Luiz Neutzling e Wilhelm Brächer. O curtume de Grill de São Lourenço era, portanto, uma verdadeira escola, um polo de ensino de curtimento e de fabricação de artigos de couro, produzindo um tipo de material especial denominado de “Polsterleder”, para confecção de malas e estofamento de móveis e que era vendido para pessoas abastadas que à época tinham condições financeiras de viajar e de ter em suas casas artigos de couro para descanso. O último empregado citado, Wilhelm (“Guilherme”) Brächer – nascido na Colônia de São Lourenço a 6 de agosto de 1877 –, era filho dos imigrantes Jacob Brächer (nascido a 18 de novembro de 1834) e Karolina Wilhelmina Henriette Naring Brächer que haviam se radicado na Picada dos Moinhos, bem na divisa com a localidade de São João da Reserva. Quando Jörg Grill morreu (a 13 de julho de 1900, com a idade de 58 anos), Wilhelm (com 23 anos) casou com sua viúva Maria Christina Timm Grill (que tinha 31) e passou a dirigir o estabelecimento, em 1900. Wilhelm (ou Guilherme) assumira na verdade um curtume de modestas proporções, localizado no coração da zona colonial, à margem direita do pequeno riacho denominado “Cachoeirinha”, afluente do nosso arroio São Lourenço – marco de divisão entre São João da Reserva e a Picada dos Moinhos – e longe de todo e qualquer meio de comunicação rápida. E naquela época eram conhecidos apenas métodos primitivos de preparo do couro, trabalhando-se praticamente com métodos artesanais. O correr dos anos e o interesse de Guilherme Brächer pelo conhecimento dos aperfeiçoamentos de todos os aparelhos industriais, fizeram com que ele adquirisse o que de mais moderno existia, mecanizando sua pequena firma e confiando sempre na sua capacidade e na de seus empregados. Mas esse trabalho foi árduo. No dia 3 de janeiro do ano de 1922, no entanto, aconteceria ali uma grande catástrofe, um fenômeno da natureza que talvez jamais houvesse acontecido antes: como se todas as nuvens de chuva do mundo tivessem ali se reunido, uma violenta e rápida precipitação se abateu naquela zona colonial. Uma enchente de inusitadas proporções atingiu a região, fazendo transbordar como nunca o pequeno córrego que em épocas normais movimentava a roda d’água com dificuldade – devido ao seu modesto volume –, transformando-o num rápido e fabuloso rio, o suficiente para levar de roldão a roda geradora de energia, toda a produção e partes da sede do curtume. Guilherme, mesmo assim, não esmoreceu. Pelo contrário: com seus dois filhos que já lhe ajudavam, construiu outro prédio, muito maior, agora no outro lado do riacho, menos sujeito à ação das águas em caso de nova enxurrada, o que acabou nunca mais acontecendo. Em 1936, um ano antes de morrer (o que aconteceria em 22 de outubro de 1937), entregou – já cansado – seu legado aos dois filhos sócios, Oscar e Willy Brächer, que com ele já trabalhavam há décadas, confiante de que sua obra não sofreria descontinuação. Os dois, compreendendo o peso da responsabilidade que haviam herdado, dedicaram-se de corpo e alma ao empreendimento, imprimindo-lhe um impulso tão grande que chegou a ser reconhecido, por volta de 1940, como um dos maiores curtumes e de mais reputação em todo o Rio Grande do Sul e até do Brasil. Em maio de 1940, os irmãos foram agraciados com uma medalha de ouro na “1a Exposição Agro-Pecuária e Industrial de São Lourenço”, por apresentarem o melhor conjunto em couro e verniz.
